Dia 01 de agosto de 2011. Passei o dia contando os segundos para sair da Simpala, muito embora minha aula começasse apenas mais uma hora depois do fim do expediente. Mas a ansiedade era grande!
Às 18h20, no momento em que saí do serviço e me encaminhei à PUC, chovia sem parar. A aula só começava as 19h30, então acompanhei meu colega de serviço até a parada de ônibus, esperei ele ir embora e me encaminhei tranquilamente, abaixo de chuva e ventania, às portas da FAMECOS. Como voltei pelo acesso da Bento Gonçalves, caminhei um bocado ( a Famecos encontra-se no prédio 7, na entrada via Ipiranga) , passando por vários outros prédios, todos muito silenciosos, parecia haver uma 'aura' de formalismo na entrada da maioria deles. Foi quando avistei o meu prédio. Um pandemônio generalizado tomava conta do saguão, da porta de entrada e até do lado de fora, na chuva mesmo. Pessoas fumavam, tocavam violão, conversavam aos berros, cantavam, todos riam e davam empurrõezinhos uns nos outros. Pessoas de todos os estilos: roqueiros, regueiros, alternativos, pagodeiros, piriguetes, descolados, peruas, manos e minas, tudo! Parecia um Fórum Social Mundial. Entre eles circulavam uma ou outra pessoa discreta, se encaminhando em silêncio e de cabeça baixa direto para a entrada. Eu era uma dessas pessoas. Calouros, claro.
Peguei a folha A4 da grade de horários na minha bolsa encardida da Adidas e a dobrei ao meio, a fim de parecer aquelas estudantes americanas no primeiro dia de aula da unversidade sabe, que olha muito pro papel e ainda assim se perde diante e tantos corredores, portas e pessoas. Sempre quis fazer isso!
Mas, ao que tudo indicava, 95% do povo estava lá fora (na chuva! Gente amalucada!), e para minha decepção, o prédio mais famoso da PUCRS tem apenas três andares, não permitindo a menor sombra de dúvida quanto às salas, todas muito bem identificadas.
Subi os três níveis de escada (o único prédio ali sem elevador), reparei que não havia xerox (lamentável!) e mais tarde constataria que as salas eram desprovidas de ar condicionado. Decepcionada?? Não exatamente. Mas a diferença entre a faculdade de Direito e a nossa é gritante!
Achei a sala ligeirinho. No corredor do 3o andar, dois ou três gatos pingados. Olhávamos uns pros outros, as vezes surgia um sorrisinho e os olhos voltavam a percorrer as portas, o corredor, o teto, o mural, tudo o que até ali era novidade. Puxei meu pocket "Rum: Diário de Um Jornalista Bêbado", de Hunther Thompson, da bolsa e continuei lendo de onde estava marcado.
Algum tempo depois comecei a falar (nem lembro porquê) com um colega de Jornal. Primeiro assunto: "o vestibular nem tava difícil, né!". Contrariando o conselho do Vinicius e da minha sogra eu respondi "não sei, sou bolsista do PROUNI, não fiz o vestibular...". Ele comentou alguma coisa (nada maldoso ou com algum preconceito) e continuamos falando uma ou outra coisa. Entendo a preocuapação da família, pois embora o Programa já tenha 7 anos, o preconceito ainda é grande. Não sofri nenhum diretamente,a o longo do semestre, mas amigos falaram de comentários maldosos entre grupinhos... Paciência.
Esperamos um bocado até aparecer aquele que seria o primeiro professor da segunda-feira, Juremir Machado da Silva. Reconheci ele da TV. E pensei "droga! Não me lembro se é ele aquele chato que falava no SBT e me dava sono... tomara que não!"... o tempo passou e continuo na dúvida... mas ao que tudo indica, lembrando de algumas aulas, era ele sim... hehehe
Dizem que as primeiras impressões são as que ficam, confere? Mas eu estava tão feliz e absolutamente embriagada pela realização do meu sonho, que pouco posso detalhar aqui o que senti ao pisar num lugar cheio de jornalistas, PP's, RP's, cineastas e todas estas pessoas profissionais e altamente bem-sucedidas que um dia sonhamos ser...
O lugar exala juventude, bom humor, mente totalmente aberta e a certeza de que se desenrolarão 8 semestres de muito aprendizado e altas risadas! Antes de tudo, é um lugar para se fazer amigos e conviver com diversas culturas.

domingo, 12 de fevereiro de 2012
Filha da PUCRS!
O dia em que ganhei esta carteirinha, no dia da matrícula, foi um dos mais emocionantes da minha existência, apenas concorrendo com o dia em que minha filha nasceu e com o primeiro dia de faculdade.
Minha mãe foi comigo. Era dia de semana, portanto, ela passou primeiro no meu serviço, uma concessionária da Chevrolet em frente à própria PUCRS. Avisei meu gerente substituto que estava saindo e fui, com as pernas trêmulas.
Chovia muito, e estava bem friozinho. Também, era metade de junho!
Chegamos uns minutos antes do horário marcado, mas já nos passaram direto para a comprovação de documentos e assinaturas finais do Programa. Tudo acertado no Prouni, fomos encaminhadas ao prédio 7, a tão sonhada FAMECOS, não antes de eu agradecer o Thiago, coordenador do PROUNI que me atendeu.
Chegando no 7, fomos à sala de matrícula, e uma garota mal-humorada fez minha grade de horários.
Saí de lá me sentindo a pessoa mais completa do mundo!!!!
E aqui está, a carteirinha que não cansava de olhar até o dia 01 de Agosto!
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Galera, ISSO não tem preço! Literalmente!
Quando vi isso, eu não acreditei. Então eu olhava, olhava, olhava, e continuava não crendo na sorte que tive.
Mas até aparecer ISSO, quase tive um piripaque, com a tela que mostrava um reloginho dizendo " Aguarde o Resultado da Primeira Chamada". Meu Deus, que aflição!!
Mas quando ESTA TELA apareceu, parecia que iria explodir. Não conseguia acreditar!!
E até hoje, ainda parece um sonho...
Breve Histórico Pessoal
Gaúcha, aquariana de 1986, mãe, filha, esposa, e graças ao PROUNI (no qual eu não acreditava), universitária.
Nunca fui muito de estudar até morrer, não tenho paciência nem concentração o suficiente para me afogar em cadernos, do colégio eu só gostava por causa da baderna e dos guris. Óbvio. Mas como dizia a minha avó, a dor ensina a gemer.
Engravidei aos 16 anos e a partir daí comecei a dar o devido valor aos livros e salas de aula em sua essência, e não pelo divertimento que apenas a estrutura física do colégio me proporcionavam no intervalo e nas horas de matar aula. Me formei na 8a série e ganhei minha filha. A partir daí, minha instrução escolar se arrastou de forma deprimente até eu conseguir obter o certificado. Quem trabalha o dia inteiro e estuda sabe como é difícil. E foi, muito.
Mas um belo dia, depois de muito cursinhos pré-vestibulares inacabados (por falta de dinheiro e ataques violentos de 'eu não quero saber mais desta merda!') e vários ENEM feitos somente pelo prazer de fazer provas, chegou a minha hora.
Aos 25 anos, quando eu já estava morando com meu namorado - com o qual já estava a 4 anos - estava empregada num lugar que era o melhor no qual já havia trabalhado (mas mesmo assim, não perfeito - ainda de segunda a segunda) e achava que minha vida estava engrenando, veio a prova de que realmente cheguei no meu objetivo.
Inscrições para o PROUNI abriram e, por conselho da minha sogra, me inscrevi. De brincadeira, claro. Primeira opção: Jornalismo Noturo, PUCRS. Tinha na minha consciência que jamais teria média para alcançar nota e ingresssar na mais concorrida, ainda mais no curso que se tornou uma espécie de 'modinha' (da série 'coisas que eu não entendo'). Mas como na prova do ENEM, estava só me divertindo.
Algumas semanas depois, a surpresa. Eu tinha sido aprovada em primeira chamada, naquele segundo semestre de 2011.
Exigências burocráticas atingidas, correria para lá e para cá atrás de documentos, históricos, comprovantes disso e daquilo, agora vos fala a estudante do segundo semestre do Jornalismo Noturno da FAMECOS, melhor faculdade de Comunicação Social do estado do Rio Grande do Sul, dentre as privadas.
Queria, claro, registrar alguns agradecimentos, que nestas minhas andanças conheci muitas pessoas que duvidaram de minha capacidade (veja bem, não da inteligencia, mas da CAPACIDADE de uma pessoa pobre entrar numa boa universidade), inclusive próprios familiares ( e isso com certeza foi o que mais doeu), mas houveram outras, e que Deus ofereça a elas tudo em dobro o que me desejaram, que foram meu maior estímulo para não desistir, para depois de uma derrota não baixar a cabeça e aceitar o fracasso, mas sim erguer o nariz e ir adiante, mostrando para quem duvidou e até torceu contra mim que me aguardasse e visse até onde eu iria. E cheguei. Meus mais sinceros agradecimentos ao meu marido, Vinicius Almeida, minha sogra Rosita, minha mãe, minha filha (mesmo ela não deixando eu estudar, quando finalmente eu tomava coragem de abrir as temidas apostilas de matemática e química), meus muitos amigos e companheiros de jornada que dividiram comigo minhas aflições e delírios. Também não poderia deixar de fora um dos coordenadores do PROUNI da PUC, que me acompanhou durante todo o processo de comprovação de documentos, respondendo a todas elas e diminuindo (se era possível) a minha ansiedade, e aguentou pacientemente as diversas vezes que fui atrás dele em busca de respostas para as muitas dúvidas. Obrigada por tudo, Thiago Alexandre Winckelmann. A todos vocês, que sempre me incentivaram e torceram por mim, aqui estou galera!! Graças ao apoio de todos! Obrigada, de coração.
Aos vestibulandos que por ventura venham a acompanhar este 'diário acadêmico', fiquem a vontade para fazer perguntas e comentários. Bem-Vindos!!
Nunca fui muito de estudar até morrer, não tenho paciência nem concentração o suficiente para me afogar em cadernos, do colégio eu só gostava por causa da baderna e dos guris. Óbvio. Mas como dizia a minha avó, a dor ensina a gemer.
Engravidei aos 16 anos e a partir daí comecei a dar o devido valor aos livros e salas de aula em sua essência, e não pelo divertimento que apenas a estrutura física do colégio me proporcionavam no intervalo e nas horas de matar aula. Me formei na 8a série e ganhei minha filha. A partir daí, minha instrução escolar se arrastou de forma deprimente até eu conseguir obter o certificado. Quem trabalha o dia inteiro e estuda sabe como é difícil. E foi, muito.
Mas um belo dia, depois de muito cursinhos pré-vestibulares inacabados (por falta de dinheiro e ataques violentos de 'eu não quero saber mais desta merda!') e vários ENEM feitos somente pelo prazer de fazer provas, chegou a minha hora.
Aos 25 anos, quando eu já estava morando com meu namorado - com o qual já estava a 4 anos - estava empregada num lugar que era o melhor no qual já havia trabalhado (mas mesmo assim, não perfeito - ainda de segunda a segunda) e achava que minha vida estava engrenando, veio a prova de que realmente cheguei no meu objetivo.
Inscrições para o PROUNI abriram e, por conselho da minha sogra, me inscrevi. De brincadeira, claro. Primeira opção: Jornalismo Noturo, PUCRS. Tinha na minha consciência que jamais teria média para alcançar nota e ingresssar na mais concorrida, ainda mais no curso que se tornou uma espécie de 'modinha' (da série 'coisas que eu não entendo'). Mas como na prova do ENEM, estava só me divertindo.
Algumas semanas depois, a surpresa. Eu tinha sido aprovada em primeira chamada, naquele segundo semestre de 2011.
Exigências burocráticas atingidas, correria para lá e para cá atrás de documentos, históricos, comprovantes disso e daquilo, agora vos fala a estudante do segundo semestre do Jornalismo Noturno da FAMECOS, melhor faculdade de Comunicação Social do estado do Rio Grande do Sul, dentre as privadas.
Queria, claro, registrar alguns agradecimentos, que nestas minhas andanças conheci muitas pessoas que duvidaram de minha capacidade (veja bem, não da inteligencia, mas da CAPACIDADE de uma pessoa pobre entrar numa boa universidade), inclusive próprios familiares ( e isso com certeza foi o que mais doeu), mas houveram outras, e que Deus ofereça a elas tudo em dobro o que me desejaram, que foram meu maior estímulo para não desistir, para depois de uma derrota não baixar a cabeça e aceitar o fracasso, mas sim erguer o nariz e ir adiante, mostrando para quem duvidou e até torceu contra mim que me aguardasse e visse até onde eu iria. E cheguei. Meus mais sinceros agradecimentos ao meu marido, Vinicius Almeida, minha sogra Rosita, minha mãe, minha filha (mesmo ela não deixando eu estudar, quando finalmente eu tomava coragem de abrir as temidas apostilas de matemática e química), meus muitos amigos e companheiros de jornada que dividiram comigo minhas aflições e delírios. Também não poderia deixar de fora um dos coordenadores do PROUNI da PUC, que me acompanhou durante todo o processo de comprovação de documentos, respondendo a todas elas e diminuindo (se era possível) a minha ansiedade, e aguentou pacientemente as diversas vezes que fui atrás dele em busca de respostas para as muitas dúvidas. Obrigada por tudo, Thiago Alexandre Winckelmann. A todos vocês, que sempre me incentivaram e torceram por mim, aqui estou galera!! Graças ao apoio de todos! Obrigada, de coração.
Aos vestibulandos que por ventura venham a acompanhar este 'diário acadêmico', fiquem a vontade para fazer perguntas e comentários. Bem-Vindos!!
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Por que escolhi o Jornalismo
"Como a maioria dos outros, eu procurava alguma coisa, vivia em movimento, nunca estava satisfeito (..) Compartilhava uma espécie difusa de otimismo que dizia que alguns de nós estavam realmente progredindo e que os melhores dentre nós inevitavelmente chegariam ao topo. Ao mesmo tempo, nutria suspeitas melancólicas de que a vida que levávamos era uma causa perdida, que não passávamos de atores, enganando a nós mesmos numa odisseia sem sentido. Era a tensão entre esses dois polos - um idealismo incansável e uma sensação de catástrofe iminetente - que me dava forças para seguir adiante." Hunter Thompson, em Rum: Diário de um Jornalista Bêbado
Este trecho do livro de Thompson resume, de forma objetiva, o que me levou a estudar por anos para estar hoje nas cadeiras que me empurram à uma profissão mal remunerada, com excesso de trabalho e rodeada de falso glamour. Mas que eu amo e a qual acredito que seja o meu destino.
E também, claro, a vontade de mudar o mundo.
Todo jornalista quer mudar o mundo. Fato!
Pobres coitados!!
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