Gaúcha, aquariana de 1986, mãe, filha, esposa, e graças ao PROUNI (no qual eu não acreditava), universitária.
Nunca fui muito de estudar até morrer, não tenho paciência nem concentração o suficiente para me afogar em cadernos, do colégio eu só gostava por causa da baderna e dos guris. Óbvio. Mas como dizia a minha avó, a dor ensina a gemer.
Engravidei aos 16 anos e a partir daí comecei a dar o devido valor aos livros e salas de aula em sua essência, e não pelo divertimento que apenas a estrutura física do colégio me proporcionavam no intervalo e nas horas de matar aula. Me formei na 8a série e ganhei minha filha. A partir daí, minha instrução escolar se arrastou de forma deprimente até eu conseguir obter o certificado. Quem trabalha o dia inteiro e estuda sabe como é difícil. E foi, muito.
Mas um belo dia, depois de muito cursinhos pré-vestibulares inacabados (por falta de dinheiro e ataques violentos de 'eu não quero saber mais desta merda!') e vários ENEM feitos somente pelo prazer de fazer provas, chegou a minha hora.
Aos 25 anos, quando eu já estava morando com meu namorado - com o qual já estava a 4 anos - estava empregada num lugar que era o melhor no qual já havia trabalhado (mas mesmo assim, não perfeito - ainda de segunda a segunda) e achava que minha vida estava engrenando, veio a prova de que realmente cheguei no meu objetivo.
Inscrições para o PROUNI abriram e, por conselho da minha sogra, me inscrevi. De brincadeira, claro. Primeira opção: Jornalismo Noturo, PUCRS. Tinha na minha consciência que jamais teria média para alcançar nota e ingresssar na mais concorrida, ainda mais no curso que se tornou uma espécie de 'modinha' (da série 'coisas que eu não entendo'). Mas como na prova do ENEM, estava só me divertindo.
Algumas semanas depois, a surpresa. Eu tinha sido aprovada em primeira chamada, naquele segundo semestre de 2011.
Exigências burocráticas atingidas, correria para lá e para cá atrás de documentos, históricos, comprovantes disso e daquilo, agora vos fala a estudante do segundo semestre do Jornalismo Noturno da FAMECOS, melhor faculdade de Comunicação Social do estado do Rio Grande do Sul, dentre as privadas.
Queria, claro, registrar alguns agradecimentos, que nestas minhas andanças conheci muitas pessoas que duvidaram de minha capacidade (veja bem, não da inteligencia, mas da CAPACIDADE de uma pessoa pobre entrar numa boa universidade), inclusive próprios familiares ( e isso com certeza foi o que mais doeu), mas houveram outras, e que Deus ofereça a elas tudo em dobro o que me desejaram, que foram meu maior estímulo para não desistir, para depois de uma derrota não baixar a cabeça e aceitar o fracasso, mas sim erguer o nariz e ir adiante, mostrando para quem duvidou e até torceu contra mim que me aguardasse e visse até onde eu iria. E cheguei. Meus mais sinceros agradecimentos ao meu marido, Vinicius Almeida, minha sogra Rosita, minha mãe, minha filha (mesmo ela não deixando eu estudar, quando finalmente eu tomava coragem de abrir as temidas apostilas de matemática e química), meus muitos amigos e companheiros de jornada que dividiram comigo minhas aflições e delírios. Também não poderia deixar de fora um dos coordenadores do PROUNI da PUC, que me acompanhou durante todo o processo de comprovação de documentos, respondendo a todas elas e diminuindo (se era possível) a minha ansiedade, e aguentou pacientemente as diversas vezes que fui atrás dele em busca de respostas para as muitas dúvidas. Obrigada por tudo, Thiago Alexandre Winckelmann. A todos vocês, que sempre me incentivaram e torceram por mim, aqui estou galera!! Graças ao apoio de todos! Obrigada, de coração.
Aos vestibulandos que por ventura venham a acompanhar este 'diário acadêmico', fiquem a vontade para fazer perguntas e comentários. Bem-Vindos!!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
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